Karol Costa
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O que realmente dói?

Na maioria das vezes o ser humano é ensinado a não se permitir passar pelo processo. Isso mesmo que você leu, as pessoas acreditam que agir como “a Frozen”, no lema: “não sentir, não falar”, seja a melhor saída. Infelizmente, lhe digo que não é a saída mais correta, pois tudo aquilo que não é externado, o seu corpo com certeza vai reagir da pior maneira para te frear intempestivamente.

A dor é um grito de sua alma para rever com acolhimento toda a sua história até aqui, porque há dores que residem no passado e se manifestam no presente por gatilhos que conscientemente a pessoa não possui “o poder” de se blindar.

Eventos de injustiças acontecem a todo momento na vida, o que transforma o olhar e até mesmo as situações posteriores. Algumas experiências nos fazem criar mecanismos de defesa, levantar muros e acreditar que, dessa forma, estaremos protegidos de sentir novamente aquilo que um dia nos feriu.

Mas será que estamos realmente protegidos?

Às vezes, aquilo que mais dói no presente não nasceu no presente.

Uma palavra, uma atitude, uma ausência, uma rejeição ou até mesmo uma situação aparentemente pequena pode tocar exatamente naquele lugar que ainda não foi curado. E então sentimos uma dor desproporcional ao acontecimento, sem compreender por que aquilo nos afetou tanto.

É nesse momento que precisamos parar e olhar para dentro.

Não para procurar culpados, mas para compreender a nossa própria história.

Quantas vezes você se cobrou por ainda sentir algo que acreditava já ter superado? Quantas vezes tentou ser forte quando, na verdade, precisava apenas se permitir chorar? Quantas vezes disse “está tudo bem” quando, por dentro, tudo estava pedindo acolhimento?

Sentir não nos torna fracos.

Falar sobre o que sentimos não nos torna frágeis.

Chorar não significa retroceder.

Às vezes, significa finalmente permitir que aquilo que ficou preso encontre uma forma de sair.

O processo de cura não acontece quando fingimos que nada aconteceu. Ele começa quando conseguimos olhar para aquilo que aconteceu sem precisar mais fugir de nós mesmos.

E talvez seja essa a grande questão: o que realmente dói?

É o que aconteceu hoje?

Ou é tudo aquilo que o acontecimento de hoje despertou dentro de você?

Talvez a dor esteja tentando mostrar algo que você passou anos tentando esconder. Talvez ela esteja apontando para uma parte sua que ainda precisa ser ouvida, compreendida e acolhida.

Não precisamos romantizar a dor, tampouco permanecer presos a ela. Precisamos aprender a atravessá-la.

Porque aquilo que não é sentido, elaborado e ressignificado pode continuar encontrando maneiras de se manifestar.

E quando finalmente nos permitimos sentir, descobrimos que o processo não veio para nos destruir.

Veio para nos devolver.

Devolver a nossa voz.

A nossa verdade.

A nossa liberdade.

E, principalmente, devolver aquela parte de nós que um dia aprendeu a se calar apenas para conseguir sobreviver.

Talvez, no fim das contas, a pergunta não seja apenas “o que realmente dói?”.

Talvez seja:

O que dentro de mim ainda está pedindo para ser acolhido?

Porque algumas dores não querem mais ser escondidas.

Elas só querem ser ouvidas.

E quando a alma finalmente é ouvida, o corpo já não precisa gritar tão alto.

Karol Costa
Enviado por Karol Costa em 20/09/2026
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