Karol Costa
Mensagens de Luz
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links
Textos

 

 Quantas vezes tentei controlar o que, por natureza, escapa a qualquer tentativa de domínio? O coração parece rir baixinho de cada plano racional, de cada promessa de cautela. Ele pulsa com vontades próprias, ignorando cálculos, atravessando certezas, transformando o simples em algo quase sagrado. Há dias em que ele é brisa leve, conduzindo a alma por caminhos de paz; em outros, é tempestade que desarruma tudo sem pedir licença.

 Os sentimentos, quando chegam, não pedem autorização. Eles ocupam espaço, se instalam, crescem. Às vezes, florescem com delicadeza, trazendo beleza e intensidade às pequenas coisas do cotidiano. Um olhar, uma lembrança, um gesto mínimo — tudo ganha um peso quase inexplicável. E, de repente, o mundo parece maior, mais vivo, mais cheio de significado.

 Mas há também o outro lado, aquele que pesa. A incerteza se infiltra silenciosa, gerando insegurança, dúvidas e frustrações. O coração, que antes expandia, começa a se contrair. Ele se afoga em pensamentos que se repetem, enquanto a mente tenta, desesperadamente, impor ordem ao caos que se instala por dentro.

 E então surge a pergunta inevitável: como controlar o que não se deixa controlar? A razão tenta assumir o comando, como um capitão em meio à tempestade, puxando as rédeas, calculando riscos, tentando evitar os danos que parecem iminentes. Mas o coração não é um território que se governa com lógica pura — ele é feito de impulsos, memórias e desejos que nem sempre obedecem.

 Será que a sanidade deve sempre prevalecer? Será que viver é, necessariamente, conter-se? Há uma linha tênue entre proteger-se e aprisionar-se. Às vezes, na tentativa de evitar a dor, também se evita a intensidade da vida. E, nesse equilíbrio delicado, muitos acabam existindo pela metade, com medo do próprio sentir.

 Pensar nos sentimentos como sementes talvez ajude a compreender. Tudo aquilo que cultivamos encontra, cedo ou tarde, um solo para crescer. O que se alimenta ganha força. O que se ignora, ainda assim, pode germinar nas sombras. E, nesse jardim interno, nem sempre temos controle total sobre o que floresce.

 Quando se alimenta o “leão errado”, como dizem, ele cresce. E não demora para que sua força ultrapasse a capacidade de contê-lo. Emoções mal resolvidas, desejos reprimidos ou medos cultivados podem se tornar maiores do que a própria razão. E, nesse momento, não se trata mais de controlar, mas de lidar com aquilo que já tomou forma.

 

Na juventude, tudo isso ganha ainda mais intensidade. As emoções estão em formação, pulsando fortes, exigindo experiência. Há uma coragem quase ingênua, uma disposição para se lançar no desconhecido sem medir consequências. Acredita-se, com certa teimosia, que o bem sempre será mais provável do que o caos.

 E talvez seja exatamente isso que torne essa fase tão viva. A ausência de medo — ou, pelo menos, a coragem de ignorá-lo — permite viver histórias que, mais tarde, se tornam memória, aprendizado ou até cicatriz. Mas, ainda assim, são essas vivências que moldam quem se é.

 Com o tempo, aprende-se que não se trata de mandar no coração, mas de escutá-lo com mais consciência. Nem sempre ele estará certo, nem sempre a razão terá todas as respostas. O equilíbrio não está em silenciar um ou outro, mas em permitir que ambos coexistam, mesmo em desacordo.

No fim, talvez a pergunta nunca tenha sido sobre quem manda no coração. Talvez seja mais sobre como conviver com ele — com suas contradições, excessos e belezas. Porque, apesar de tudo, é justamente essa falta de controle que torna a experiência de sentir tão profundamente humana.

Karol Costa
Enviado por Karol Costa em 24/05/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários