Karol Costa
Mensagens de Luz
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links
Textos

Desde a concepção, a vida surge — às vezes silenciosa, quase imperceptível —, mas sempre presente. De forma singela e despretensiosa, ela vai evoluindo com o tempo. A alma, aos poucos, parece se acoplar ao corpo terreno; as emoções vão se incorporando a esse pequeno “receptáculo”, preparando-o para o instante em que ocorre o nascimento propriamente dito. É nesse momento que o ser é lançado ao chamado “mundo exterior”, ao qual damos o nome de vida encarnada ou vida terrena, como preferir chamar.

Ao chegar nesse novo mundo, esse novo ser não traz manuais nem respostas prontas, pelo contrário muitas perguntas, dúvidas, como também incertezas de um futuro a ser construído. Ele necessita ser cuidado, orientado e ensinado diariamente, especialmente nas primeiras décadas de sua existência, para que consiga evoluir não apenas fisicamente, mas também emocional e espiritualmente.

Cada gesto, palavra e silêncio recebidos moldam sua forma de sentir o mundo, por isso há o ditado: “o ser humano é fruto do meio”. Afinal, no meio que está inserido é capaz de absorver coisas boas e outras nem tanto assim.

Desde o ventre materno, a criança sente tudo. As emoções da mãe, suas angústias e alegrias, parecem ecoar nesse pequeno universo em formação. Por isso, estudiosos da psique humana questionam até que ponto as marcas deixadas antes mesmo do nascimento influenciam quem nos tornamos. Talvez sejamos, desde o início, registros vivos das experiências que atravessam aqueles que nos geraram. Há especialistas que frisam a importância de introduzir na alimentação intrauterina alguns alimentos que são fundamentais para formação deste pequeno ser, para que no futuro se torne forte.

Com o passar do tempo, crescemos acreditando que controlamos os acontecimentos da vida, quando, na verdade, apenas aprendemos a caminhar sobre ela além de que mesmo que haja um breve devaneio de que somos capazes de controlar tudo, isso na verdade nada mais é do que uma doce ilusão e muitas vezes bem amarga.

Somos passageiros desse tempo, atravessando dias que não se repetem, colecionando memórias, dores, aprendizados e esperanças. Cada fase deixa suas marcas, algumas visíveis, outras profundamente escondidas na alma, essas derradeiras levam mais tempo para ser ressignificadas e até mesmo superadas, tendo em vista que encarar de frente aquilo que te causa dor requer coragem além do autoconhecimento para que não haja mais gatilhos capazes de te “levar ao fundo do poço” novamente.

Por vezes, na tentativa de preencher vazios e dar sentido à existência, passamos a acumular coisas, conquistas e símbolos de sucesso por acreditar que priorizar o materialismo seja capaz de ocupar o “vazio interior” que tanto tenta esconder e algumas vezes esquecer. No entanto, tudo aquilo que adquirimos ao longo dessa caminhada pertence exclusivamente a este plano. Bens, títulos e posses permanecem aqui quando o tempo encerra sua passagem por nós. A ilusão da permanência se desfaz diante da certeza de que somos apenas visitantes temporários, usufruindo de algo que jamais nos pertenceu por completo, em outras palavras o ser humano acaba tomando emprestado por um tempo determinado e no momento “do embarque ao além-túmulo” tudo fica e o que vai é apenas seu espírito.

Mesmo que haja o anseio de no momento da partida siga carregando uma bagagem, a única permitida é invisível aos olhos, pois bem são as lembranças construídas, os vínculos cultivados e os aprendizados adquiridos com o tempo. Levamos conosco aquilo que nos transformou por dentro: as experiências que ensinaram, as dores que amadureceram e os amores que deram sentido à travessia.

No fim das contas, a vida não é sobre chegar a algum destino final, mas sobre compreender a travessia além de aproveitar o caminho compartilhando com quem se ama, se conhecendo, se desprendendo daquilo que não serve e só te atrasa.

Entre nascimentos e despedidas, seguimos tentando entender quem somos, de onde viemos e o que fazemos com o tempo que nos foi concedido — esse tempo que não nos pertence, mas pelo qual passamos, pois se observar bem afundo todos são eternos aprendizes na escola da vida, alguns anseiam silenciar a voz interior que grita incansavelmente para reavaliar suas escolhas e se recomeçar a valorizar o que realmente importa.

Karol Costa
Enviado por Karol Costa em 04/01/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários